Faroeste Caboclo [Brasil] 2013 - Faltou muita coisa da história que conhecíamos, mas tem uma visão magnífica do que seria realmente.

imageSinceramente, eu como grande fã da Legião Urbana, esperava muito mais deste filme. Sempre imaginei essa música virando um longa, não só esta mas muitas outras canções da banda tem potencial para isso.

Pois bem, não podemos encarar Faroeste Caboclo de René Sampaio como um longa da música, mas, sim, como um filme baseado (e inspirado) na música de Renato Russo. Desta forma, sim, podemos gostar do filme.

Aqui, João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira) é retratado de forma diferente, menos espetaculosa. Um homem simples, que, após a morte da mãe, se vê sozinho no mundo e parte em busca de uma nova vida. Ele vai então procurar Pablo (César Trancoso) “um peruano que vivia na Bolívia, e muitas coisas trazia de lá”, o seu parente distante, do qual só tem uma foto como referência. Ao contrário da música, ele conhece Pablo já desde o início.

E logo, logo os boyzinhos da cidade souberam da novidade: tem bagulho bom aí!”, esta frase faz a ligação mais direta entre o filme e a música, logo após João encontrar Pablo, e sinaliza o início da vida bandida de dele, que no filme inverte o papel: ao invés de Jeremias (Felipe Abib) chegar em Brasília e tentar tomar a clientela de João, é ele quem chega e rouba a cena do Jeremias, que já era traficante da cidade.

Outras discrepâncias entre o filme e a letra se seguem no decorrer do filme, mas muita coisa não explicada na letra entra em cena de uma forma muto bem arquitetada por René para explicar situações.

Maria Lúcia (Ísis Valverde), por exemplo, é aqui representada por uma patricinha, filha de um importante senador da república (Marcos Paulo). Mora muito bem, faz faculdade de arquitetura e é uma “maconheira" de carteirinha, fato que une mais ela e João de Santo Cristo. Ela o conhece durante a primeira fuga de João da polícia, e como mágica rola uma ligação entre eles, coisas do coração…

O enredo, apesar de ser diferente da música, tomou um caminho próprio que com certeza vai agradar muita gente. Sim, no início da crítica eu disse que “esperava muito mais" do filme, isso se ele fosse retratar fielmente da música. Aqui João ganhou uma nova cara, um outro destino e uma ótima representação.

Resumidamente, o filme é bom! É sim, mas para sentirmos isso temos que afasta-lo um pouco da mitologia da música, pois esse nosso João de Santo Cristo não queria falar nada pro presidente e tampouco teve “o povo a aplaudir" em seu duelo final. É um retrato mais real do que poderia ter acontecido a ele, Maria Lúcia e Jeremias, se estes de fato tivessem existido. Mas confesso que no momento do duelo, na Ceilândia, lote 14, eu contei todos os cinco tiros que Santo Cristo deu com sua Winchester 22. =)
Onde assisti: Cinema
Nota: 8

Colegas [Brasil] 2013 - Um filme extremamente emocionante divertido. Diria até, maravilhoso!

imagePois é, fui assistir despretensioso, sozinho. Como sei que ninguém gosta de filme que não é a “sensação do momento” e ainda por cima nacional (adoro), fui só mesmo. E não é que adorei!

Na tela, a história de três amigos, que inspirados no filme Thelma & Louise, resolvem sair de carro e fugir, os três, em busca de seus respectivos sonhos. Estes três amigos, Stalone (Ariel Goldenberg), Marcio (Breno Viola) e Aninha (Rita Pokk) seriam mais três jovens quaisquer se não fosse por um detalhe: são três portadores de síndrome de down. E não estão fugindo de suas vidas monótonas, como no filme que os inspirou, estão fugindo do abrigo onde viviam com outros portadores da síndrome.

Os sonhos são bem fáceis de se realizar se você é uma pessoal dita "normal", mas para os três, tornam-se desafios incríveis, romanceados e poetizados pela visão única do mundo e de cada situação que os três tem. Stalone sonha em ver o mar, Aninha quer se casar e Marcio quer voar. E todos, ao fim, alcançam seu objetivo.

O filme é maravilhoso aí, não usa atores para simular a síndrome, são eles próprios (Ariel, Breno e Rita), portadores de down. Ao seu jeito, ao seu modo, vão interpretando, divinamente, diga-se de passagem, seus papéis, dando, logo de cara ao espectador (eu), já na segunda cena, um motivo para encher os olhos de lágrimas. Vê-los em cena chega a ser lindo.

Todo o tempo de projeção, o filme se mostra ser uma produção quase amadora, talvez para compensar seu trio de protagonistas sem muita experiência de atuação, mas que com o passar dos minutos, já não nos importa mais a "qualidade" da coisa, entende? Com isso temos cortes em momentos estranhos, pontas de cena sem explicação e queda de som momentânea, todos, com certeza, propositais para acompanhar o desempenho dos três aventureiros e tentar representar um pouco de seus mundos.

Só achei que o filme pecou por ter a narração de Lima Duarte, que ao meu ver, já está bem velhinho e tem, nitidamente, de narrar pausadamente, e, ainda assim, se nota o "embolar da língua" em vários momentos. Também achei dispensável certos trechos de narração, onde a cena em si dispensava qualquer tipo de descrição verbal.

É um filme emocionante, extremamente gostoso de se assistir, muito engraçado, recheado (muito mesmo) de menções a cenas e falas de filmes famosos (Stalone principalmente, por ter trabalhado no abrigo na videoteca, tem um repertório inacabado de frases e cenas de filmes na cabeça), verdadeiras homenagens aos clássicos do cinema, caricaturado na encenação de três excelentes atores especiais.

O próprio filme foi dedicado ao tio do diretor, que também se chamava Marcio, (e por isso até arrisco dizer que o Marcio do filme é inspirado nele) que também tinha síndrome de down e conviveu bastante com o sobrinho.

A trilha sonora é um deleite à parte, praticamente toda baseada na obra de Raul Seixas, que era o cantor preferido dos três amigos, aparecia e sumia em momentos muitos especiais do filme, fazendo a gente até se emocionar, mesmo não sendo uma música feita para isso.

Resumindo aqui, estou feliz por ter visto essa joia do cinema nacional, muito gosto, gostoso demais poder ver e atestar que o fato de ter síndrome de down não diminui a capacidade de ninguém, em absoluto, é na verdade um diferencial, e Ariel, Breno e Rita estão aí para provar isso. Recomendadíssimo!
Onde assisti: cinema
Nota: 10

Revolution - 1ª temporada - Mais uma das séries que comecei a assistir e que vou recomendar que acompanhem.

A ideia de Revolution é interessante mas se perde em alguns detalhes. Trada de um mundo devastado, pós-apocalíptico, mas que não foram doenças e nem zumbis (a nova moda) quem causaram isso, e sim a falta total de energia no planeta. E essa falta de energia não é só elétrica, pelo que deu a entender, é algo que também faz parar de funcionar motores a explosão e outras formas de energia, por exemplo. É meio complicado entender, mas da uma noção perfeita de como será nossa vida sem esse poder que a energia nos traz.

A princípio, um pequeno grupo viaja (a pé, já que nem carros funcionam, e aí Walking Dead tem uma vantagem, mesmo com tantos zumbis à espreita) para resgatar o irmão de Charlie (Tracy Spiridakos - para mim, uma péssima escolha, por ser péssima atriz, mesmo sendo linda e dona de uma beleza exótica) que foi sequestrado pela Milícia. Cabe explicar que com a falta de energia o mundo entrou em colapso e os governos caíram. Milícias foram, aos poucos, tomando o poder e impondo suas leis. Esta milícia em questão acha que o pai de Charlie sabia o porquê da energia ter acabado e como restabelecê-la.

O interessante é que existem certos pingentes (que são pendrives!?) que tem o poder (inexplicável) de trazer a energia aos eletrônicos em volta, quando estes são ativados. Como é isso Bial? De uma ideia ótima, de falta de energia global, virou um tema sobrenatural? Poxa!

Numa das cenas uma personagem ativa o pendrive e, acreditem, liga um velho computador e o conecta a uma rede (hã? existe um pedrive dando energia a algum satélite para prover essa conexão???) e envia mensagens a outra pessoa em algum lugar que, provavelmente, também tem um desses pendrives.

Essas instabilidades no roteiro logo de início me deixaram com a pulga a trás da orelha, será que a série se manterá com essa ideia? Bem, como está no início, muita coisa pode ser pensada ainda.

Do grupo, há tipos interessantes, um deles é Aaron Pittman (Zak Orth), um ex-executivo da Google, que em um momento da série chega a dizer que tinha um avião e 80 milhões na conta bancária, e agora não tem mais nada. É interessante como empresas modernas como Google, Apple e Samsung tem aparecido cada vez mais em filmes e cada vez mais explícito. Para a empresa é um ótimo marketing e para nós, espectadores, nos faz sentir mais próximos dos personagens, pois afinal eles usam o Google como eu, e tem um iPhone como você!

Outra coisa bem legal da série é a produção dos cenários, muito bem trabalhados para mostrar a terra, as cidades e tudo o mais, após 15 anos sem energia. Mostra muito bem como a natureza toma conta de tudo e como as coisas vão ficando com o abandono.

A série estreou nos EUA em setembro e tem data marcada para chegar ao Brasil: 4 de novembro, pelo canal Cinemax.
Onde assisti: Torrents
Nota:

Vegas - 1ª temporada - Um velho-oeste misturado com gangsters muito irado, vale a pena acompanhar esta série.

A série reconta a história real de Ralph Lamb (Dennis Quaid - que está fantático no papel), um caubói de rodeio que se tornou xerife na Las Vegas dos anos 1960. E a produção é tão boa, além de trazer nomes de peso, mas é tão boa em recriar a Las Vegas daquela época, que da gosto de ver os cenários e os detalhes.

Violento e de coração mole, Lamb é o Xerife linha-dura da cidade, que começa a prosperar atraindo todo tipo de escória da época, inclusive os temidos gangsters. Ele, juntamente com seu irmão e filho (nomeados por ele próprio), assume a aplicação da lei na velha Las Vegas após o desaparecimento do atual xerife e da ocorrência do assassinato da filha do governador. Lamb, velho conhecido do prefeito, é convidado por este a deixar a paz da sua fazenda para resolver o caso.

Para auxiliar Lanb em sua luta contra o crime local, está Katherine (Carrie-Anne Moss - a aterna Trinity) e para bater de frente com o xerife, nada menos que Michael Chiklis como Vicent Savino, o mafioso local e gerente do cassino Savoy.

A série é ótima, para quem gosta do gênero. Além da trama a longo prazo, que fala sobre a disputa de poder entre Lamb e Savino, cada novo episódio traz um caso a ser resolvido, standalone, o que é legal para aqueles que não podem acompanhar a série religiosamente, não perdendo muito o contexto.

A série estreou em setembro no canal americano CBS e ainda não tem previsão de estréia no Brasil.
Onde assisti: Torrents
Nota:

666 Park Avenue - 1ª Temporada - Mais um da nova safra que eu adorei.

Pegando carona, com certeza, no sucesso da série de terror/suspense American Horror Story (série essa que cheguei a assistir 6 episódios mas achei meio chatinha e abandonei), foi lançado nos EUA (sem data e canal aqui pro Brasil, por enquanto) o 666 Park Avenue, que é um prédio mal assombrado.

A ideia aqui é que todos os moradores deste prédio tem pacto com o diabo para que este lhe conceda desejos. A forma como estes pactos são feitos exatamente ainda não foi bem explicado, mas mostra bem o edifício cobrando quem não lhe paga a dívida.

Nesse meio, está o jovem casal pobre que chega do interior para tentar a sorte em NY, e vão bater justamente neste prédio para fazer uma entrevista de síndico. Ela, Jane (Rachael Taylor), formada em arquitetura, fica completamente fascinada pela construção e, depois de conseguir o emprego, passa a estudar a história do local e vai descobrindo as suas bizarrices. Ele, Henry (Dave Annable ator que deixou um pouco a desejar), advogado, conseguiu um emprego numa firma de construção promissora na cidade e reveza entre o trabalho e ajudar sua mulher nas novas obrigações. O dono do prédio, Gavin (Terry O’Quinn, lembra dele em Lost?) aparentemente é quem intermedia esses pactos e quem vai fazer as cobranças.

A série realmente me atraiu, assisti até o 4º episódio, gostei mais que American Horror Story, e vou passar a acompanhar regularmente. Os diálogos são bem feitos, as cenas de suspense não são tão pesadas, acredito que pode ser um sucesso e chegar em breve a algum canal no Brasil.
Onde assisti: Torrents
Nota:

Elementary (Elementary) 1ª temporada - Outra série da nova safra que comecei a assistir este fim de semana.

A premissa de trazer as histórias do velho Sherlock para Nova York, cidade já amplamente explorada por CSI: NY, para resolver os crimes capitais da metrópole me atraíram na hora. Achei, quando li a sinopse, que seria uma ótima nova abordagem ao conhecido investigador, que teve diversas variantes ao longo dos anos.

E acertei, em partes, na previsão. Logo de cara há a mudança de ares e cultura (e consequentemente de violência), da Londres do velho mundo para a Nova York da atualidade. Depois percebo que o velho Dr. Watson não é mais um cara, e sim uma garota (e que garota) e se chama agora Joan Watson (num trocadilho com o antigo John Watson) interpretada pela bela Lucy Liu (lembra das Panteras?), e outra, não é mais um ex-médico de guerra e sim uma cirurgiã com problemas em aceitar a perda de um paciente… Nossa, que mudança! Com isso achei que o próprio Holmes também seria um típico novaiorquino problemático. Bem, nesse ponto só acertei no problemático.

Infelizmente Sherlock (Jonny Lee Miller) ainda é britânico e desembarcou nos EUA para fugir, em partes, do seu passado e das internações em clínicas para drogados em que seu pai o colocava na Inglaterra. Putz, o velho Holmes tinhas seus vícios, mas daí a ser um drogadão heim! Pois a linda Joan Watson o conhece justamente por ter sido contratada pelo pai do rapaz para ser sua acompanhante de drogado, a pessoa que está alí o tempo todo para evitar que o viciado tenha uma recaída. Além disso, o fato de ser viciado, deixa Holmes extremamente hiperativo e ainda mais introspectivo que o normal (do personagem). Pois é…

A vantagem da série se ambientar nos tempos atuais e em NY é que agora Sherlock é mais descolado e usa e abusa das tecnologia disponíveis, trazendo o velho detetive para o nível dos CSI’s da vida. A exemplo disso, Holmes sempre usa seu iPhone 4S para fotografar e analisar as cenas dos crimes, está sempre fazendo a atendendo ligações nele e, além disso, apoia suas divagações em pesquisas que faz no Google.

Apesar da agonia de ver Sherlock como um drogado abstinente, gostei muito desta série e vou continuar acompanhando até enjoar da cara dele (porque da Lucy Liu não tem como não gostar).
Onde assisti: Universal - Quintas às 22h
Nota: